Artigo Lido: Risk factors for gastrointestinal parasite infections of dogs living around protected areas of the Atlantic Forest: implications for human and wildlife health

Artigo Lido: Risk factors for gastrointestinal parasite infections of dogs living around protected areas of the Atlantic Forest: implications for human and wildlife health

Olá! Já estamos começando a QUARTA semana do ano! Isso mesmo, já se foram 21 dias e janeiro já está no fim. Sigo na minha leitura de artigos publicados no Scielo e trago dessa vez um artigo em Inglês. Foi difícil resenhar porque não tenho curso de inglês, e justamente por essa dificuldade que tenho acredito que muitos também a compartilham, então resolvi trazer essa pesquisa que deve ser divulgada!

Mas antes, não posso deixar de agradecer ao Feedback do último Post do Artigo Lido, em que a própria autora Raquel Morais e colegas dela deixaram comentários sobre minha análise. Fiquei muito feliz que gostaram de minha resenha! Se você ainda não conferiu o artigo, vale a pena pois, como falei, é maravilhoso!

LEMBRETES

ATENÇÃO: Eu recomento que vocês primeiro LEIAM o artigo que foi resenhado na integra e depois venham ver a resenha aqui no blog!

Caso você queira ver apenas minha opinião pessoal sobre o artigo, basta descer até o tópico ANÁLISE CRÍTICA PESSOAL.

Essa semana, escolhi um artigo em que investiga riscos de infecções por parasitas em cães de áreas rurais!

Clique aqui para ler o artigo na íntegra:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_abstract&pid=S1519-69842016005119110&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

Ah, lembrando que o artigo está em inglês, então vale a pena ter ao lado o dicionário de inglês ou o próprio Google tradutor.

Então, vamos à resenha:

DADOS DO ARTIGO

Título: Risk factors for gastrointestinal parasite infections of dogs living around protected areas of the Atlantic Forest: implications for human and wildlife health

(Fatores de risco para infecções parasitárias gastrointestinais em cães do entorno de áreas protegidas da Mata Atlântica: implicações para a saúde humana e da vida selvagem)

Referência Bibliográfica:

CURI, N. H. A. et al . Risk factors for gastrointestinal parasite infections of dogs living around protected areas of the Atlantic Forest: implications for human and wildlife health. Braz. J. Biol.,  São Carlos,  2016 .   Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1519-69842016005119110&lng=pt&nrm=iso>. acessos em  22  jan.  2017.  Epub 15-Ago-2016.  http://dx.doi.org/10.1590/1519-6984.19515.

O estudo

Em resumo, o trabalho busca reportar a prevalência de parasitas gastrointestinais de cães rurais que vivem próximos a seis áreas protegidas de domínio da Floresta Atlântica e avaliar os fatores de riscos associados com a maior prevalência e/ou a taxa de parasita zoonóticos e infecções mistas.

Estrutura

O trabalho possui uma introdução que contextualiza o leitor sobre o tema. Em seguida são apresentados os materiais e métodos utilizados nos experimentos e os resultados obtidos desses. Em seguida há uma discussão dos resultados, onde são elencados pontos de ligação com diversos artigos externos e o artigo finaliza com uma breve conclusão e agradecimentos além das referências bibliográficas. O artigo possui 8 páginas.

Conteúdo

Cães são os animais de estimação mais comuns e a espécie carnívora mais abundante em todo o mundo. Dos quase um bilhão de cães que vivem, mais da metade são considerados cães rurais que, apesar de receberem o suporte de humanos, frequentemente entram em zonas de interação com a vida selvagem (florestas e matas adjacentes). Cães são hospedeiros para várias espécies de parasitas gastrintestinais, incluindo parasitas generalizados que afetam seres humanos. Cães rurais, especificamente os viventes próximos a zonas de proteção ambiental, têm recebido pouca atenção científica apesar de seu potencial causador de infecções nestes locais.

Famílias com cães localizadas a menos de 2 km das fronteiras de áreas protegidas foram analisadas. Todos os animais analisados eram alimentados, entretanto a maioria não recebia nenhum serviço veterinário. Antes do estudo, foram obtidas Licenças do Conselho de Ética e todos os protocolos para manipulação de animais aderiram às recomendações da Faculdade Brasileira de Experimentação Animal e do Comitê de Ética Animal da FIOCRUZ.

Características físicas dos cães foram anotadas e amostras de fezes coletadas e armazenadas em tubos de plástico, identificados, e enviados para análise. Ainda, diversas comparações (como gênero, raça mista ou pura, forma de criação livre ou sem barreiras, sexo, presença ou não de dados, entre outras) foram realizadas e para estimar as diferenças de prevalência foram utilizados testes de Qui-quadrado e múltiplas correções de continuidade de Yates.

Cento e vinte nove cães foram amostrados a partir de 88 famílias. Treze parasitas foram encontrados infectando 75 cães, sendo os parasitas mais comuns Ancylostoma sp., Toxocara sp. e Trichuris sp. (todos com potencial zoonótico) seguidos por outros dez menos predominantes.

Apesar de os parasitas mais prevalentes (Ancylostoma, Toxocara e Trichuris) não diferirem dos resultados em zonas urbanas, parasitas menos comuns e diferentes, como Eimeria, Ascaridia e Ascaris, foram detectados, provavelmente devido à proximidade com outras espécies hospedeiras (animais domésticos ou selvagens). A riqueza de espécies encontradas (13) é, por exemplo semelhante aos achados em ambientes urbanos e rurais da Argentina, mas é ligeiramente superior ao encontrado as zonas urbanas brasileiras e estudos já realizados em áreas rurais.

A elevada e generalizada presença de parasitas revela uma falta de controle preventivo dessas populações de cães e que o risco de zoonoses está presente nas áreas de estudo, sendo essas causas justificadas por diversos pontos, como a falta de informação dos proprietários sobre medidas profiláticas, interações insuficientes entre os veterinários a população rural, entre outras.

Os resultados destacam a necessidade de novas pesquisas e implementação de medidas de controle dos cães em áreas rurais. O perímetro dos domicílios pode ser responsável pela transmissão de vários parasitas para seres humanos e vida selvagem e, como sentinelas, mostram que o risco de zoonoses é alto nestas áreas. Algumas das intervenções sugeridas para o combate as infecções são o tratamento endoparasítico, acompanhamento e controle da população de hospedeiros e reforço dos cuidados pelo proprietário do animal de estimação.

Os autores finalizam agradecendo a todos os proprietários incluindo seus cães, as Licenças de pesquisa expedidas e as agências de financiamento. Ressaltam que os patrocinadores não tiveram nenhum papel no desenho do estudo, na coleta, na análise e interpretação dos dados, na redação dos manuscritos, e na decisão de submeter o manuscrito para publicação.

ANÁLISE CRÍTICA PESSOAL

A zona rural é por vezes esquecida pelos pesquisadores. Fica evidente, através das citações do estudo que, países como o Brasil, possuem vasta extensão territorial e grandes áreas rurais que nunca foram pesquisadas. O estudo ressalta a importância de olhar para esta área e busca incentivar a realização de novas investigações, com o mesmo foco desta, em outros locais da América do Sul.

Chamou-me a atenção a clareza de informações prestadas nesta pesquisa que envolve seres vivos, como os cães em questão e as famílias entrevistadas. Seguir parâmetros já estabelecidos pelos Conselhos de Ética é uma etapa frequentemente deixada de lado. Já este estudo, ao contrário, deixa claro que seguiu todas as normas devidas na pesquisa científica.

A dedução do iminente potencial de impacto ambiental que os animais infectados podem exercer no local em que vivem é brilhante. Divulgar a pesquisa para que se tomem atitudes como o incentivo ao contato com veterinários com a zona rural ou mesmo a simples explicação de medidas profiláticas aos donos é de fundamental importância para o combate as zoonoses que poderão se instalar nas áreas.

É empolgante a leitura dos resultados que analisam a relação crescente entre a presença de gatos e um maior número de infecções pelos cães, que provavelmente se infectaram ao ingerir as fezes dos felinos. Também é primoroso o aviso do risco que se tem ao não se tomar medidas de higiene mínimas, pois ao serem “deixadas” em qualquer lugar, as fezes podem contaminar o solo ou ainda outros animais que tiverem contato com elas.

RECOMENDO OU NÃO A LEITURA?

SIM recomento a leitura! Confesso que tive muita dificuldade na interpretação dos resultados no começo, por conta do meu inglês que é fraco, mas não desisti da leitura e valeu a pena! As explicações são claras e depois de uma breve tradução geral fica bem fácil a  interpretação dos resultados. Espero que esse estudo seja replicado não só pela América Latina, mas sim por todo o mundo.

aprovado

CONTATO COM OS AUTORES DO ARTIGO

Caso você queira entrar em contato com os autores do artigo, o e-mail divulgado para correspondência é nelsoncuri@hotmail.com

FINALMENTE

Mais uma semana, mais um artigo lido! Eu gostei muito de resenhar um artigo em inglês, que apesar de trabalhoso contribuiu demais no crescimento acadêmico e também para me acostumar com leituras em inglês. Espero que vocês também tenham gostado e lembram-se que caso tenham alguma indicação de artigo para leitura é só deixar nos comentários ou através do email dicadoleandro@gmail.com. Até mais!

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s